
O dia, ainda claro em minhas lembranças (e à meus ouvidos), era um glorioso 14 de Março de 2009.
E como em todo e qualquer dia glorioso, eu acordei e logo me vi... sem fome. É, isso mesmo, você já deve ter passado por isso. Nervosismo, ansiedade, desespero, são os típicos sentimentos que costumam nos arrancar fora a fome. Pois então, nada de café da manhã.
Me levantei de rosto amassado, esmaguei meus dedos contra os olhos na tentiva de clarear minha visão (e meus pensamentos), e assim, vagoroso - não leia-se: calmo/tranquilo - fui andando rumo ao primeiro banho do dia. Antes da glória, porém, eu tinha um compromisso nada importante: faculdade. Deveria passar no Centro da Cidade - lugar onde estudo - buscar alguns documentos e participar da apresentação da bateria dos Jogos Jurídicos da UFRJ. Enfim, rumei desanimado para um destino indesejado. Na compania de um amigo (Diego, cursa a mesma faculdade que eu), fui conversando, falando, desabafando, tentando minar de alguma forma minha ansiedade e meu incontrolável (e inconfundível) desejo de estar na Praça da Apoteóse.
Com as intermináveis horas que se arrastavam, meu desejo pela glória aumentava. Fui embora da faculdade como se ali, fosse o único lugar da terra onde eu não gostaria de estar. Cheguei em casa em pleno furor, tomei um banho de poucos minutos e almocei em tempo ainda menor.
Pronto, estava devidamente uniformizado e alimentado para o que viria mais tarde, justamente a temática desta crônica e a "glória" a que tanto me refiro: o show do Maiden. Calça jeans, tênis branco, normal, camisa preta com letras que reluziam perfeitas o nome que tanto permeou meus sonhos por 8 anos: "IRON MAIDEN".
Desci meu prédio amaldiçoando o elevador pela demora, fui à casa do meu irmão (com quem compartilharia mais tarde as emoções do show), Vitor, e de lá pegamos o ônibus 260.
O destino?
Meu sonho.
Largamos na Praça da Apoteóse, que naquele momento já estava repleta de gente cujos sonhos se assemelhavam. Andamos a quilométrica fila que adentrava uma favela próxima do local e lá esperamos... esperamos... e esperamos.
Santa Angústia! O tempo parecia zombar de meus sentidos. Passava lento, vagaroso, quase provocante. Conversava, andava de lá pra cá... e de nada adiantava. Minutos pareciam horas e horas pareciam dias. Aquilo era demais pra mim! Sou ansioso e quem me conhece sabe disso.
Eis que minutos (anos, milênios) depois de longas andanças, de risos nervosos e muita espera, os portões para a pista do show se abriram. Foi um alívio! Me senti leve, capaz de voar. Queria estar lá dentro, sentir a pulsação do local, o ar pesado do Heavy Metal, e a angústia generalizada de fãs que são tão fãs quanto eu.
A pista era relativamente longa, e oferecia um bom espaço para os compradores de noventa e cinco reais (Pista normal - meia entrada). O falatório era geral e permutável, vinha de todas as partes e à todas as partes se perdia. Horas passadas, após longa espera (e muita conversa, tequila e cerveja ;]), sobe ao palco Lauren Harris, filha do Poderoso Chefão (Steve, de sobrenome homônimo). Nada demais, nada de menos. A rockeirinha tem um som pra lá de regular, coisa que dificilmente nos agradaria, os verdadeiros fãs do bom e velho Heavy.
Espera... espera... espera...
E então, tudo se apaga...
As aproximadamente 30 mil pessoas presentes entram em completo estado de transe, furor, frinesi, fúria, alegria, perdição, fantasia... Ah! É inexplicável, meu amigo.
"Doctor Doctor" toca em alto e bom som. É o prelúdio de um sonho...
Vem Transylvania! Vídeos... cores...
Luzes!
Gritaria, euforia!
Churchill's Speech! É agora...
"We Shall Never Surrender!"
BUM! Ali, naquele momento, regido por este último verso, foi o auge da minha realização! O início de algo entorpecente. Me desloquei dali e vivi cada momento como se fosse eterno. Gravei em minhas retinas (e na minha câmera, que no fim foi furtada, mas foda-se) cada um daqueles momentos. Cada grito. Cada canto sublime de um sonho infantil!
"Run, live to fly!"
Como esses versos ecoavam bem. Era um coro, um coro de apaixonados. Era lindo! Mãos para o alto, o prior-gesto do amante da boa música. Dedos em chifre, alegria, gritaria! Cara, como aquilo foi bom!
As músicas que seguiram foram tão boas (senão melhores) que a da abertura: "Aces High".
Cada verso era um amor.
De cada amor, um canto.
De cada canto, uma paixão!
E dessa paixão, um eterno e vívido sonho.
Um muito obrigado ao Iron por ter me proporcionado esse dia! Um muito obrigado também ao meu irmão Vitor, que tanto sonhou ao meu lado com esse momento.
Demorou, mas aconteceu, irmão! \o/
E um "obrigado" especial ao Edson, um novo amigo que fizemos pela música. Aliás, conheci um Edson muito diferente do habitual ali no show. Extrovertido, brigão (O_o), cantor, fã...
xD
Você é dez, cara! =)
Está aí, em poucas (nem tão poucas, para alguns) e "longe de conseguirem expressar com exatidão" palavras, como e o que foi, o que pode ser considerado um dos melhores dias da minha vida.
Tesouro de uns, lixo de outros. Já diriam...
Um grande abraço!