
A guerra implodiu! Encouraçado, o soldado entretia-se no árduo ofício da escrita.
As tricheiras, de mortes e tormentos, gozavam de sangues vorazes: vermelhos de ferro e pretos do chumbo assassino.
O soldado, oculto no crepúsculo e levado pela canção das armas, marcha seu lápis no pedaço de papel, permutando sua vida nas letras da solidão, desejoso por palavras e farto de onomatopéias.
Mordia a cabeça emborrachada ao pensar. Derepente ele pára! Ouve! Tiros, agonias, atônitos pelo fim! Mortes!
O soldado abaixa a cabeça, disfarçando-a entre as pernas, larga seu lápis - a "esperança" - cobre os ouvidos com as mãos (agora inaptas à produção do belo), e pensa...
Pensa nas vidas perdidas, nos braços ocultos, na força do abismo... a bandeira...
O soldado ergue a cabeça. Na trincheira, tomada pelo nada e afogada pelo fim; um homem delibera-se da luz, pega seu lápis e no pedaço de papel escreve sua última palavra diante do inevitável.
A palavra, gasta pelo carbono, porém, eterna pelas lágrimas de um mortal, ecoa no silêncio da morte, dando à paz, uma nova esperança.
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