quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Luiz


Não acreditei muito de início quando meu pai me ligou para dar a notícia: meu avô não estava mais entre nós.Enfim, no momento que ouvi tais palavras, admito que nada senti. Mas não confunda "nada" com ausência, pois meu "nada", a que me refiro, diz respeito à dormência, uma dormência dolorosa, devo dizer (ainda que pareça contraditório).

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Meu avô, um senhor com seus setenta e poucos anos, tinha um grande coração (e ponha grande nisso) e um jeito todo dele de expressar sentimentos. Algo até raro para alguém que passou pelo que passou e sofreu o que sofreu. Veio com a minha vó pelo suor do Nordeste nos anos 60 e aqui começou não só uma família, mas também uma história.

Orgulhoso como só (marca herdada pelo seu filho e posteriormente, pelo seu neto), quis viver por conta própria pelas bandas de cá. Montou uma padaria com os próprios braços (e alguns amigos) pela altura da Mallet e lá deu início à sua vida financeira.
Em eterna compania de minha avó (Odete), teve seus dois únicos filhos (dos quais viria a se orgulhar muito no futuro): Edson e Cida. E dessa parte do conto, deixo que o passado fale por mim. Felicidades, tristezas, esforço e dificuldades foram marcas na construção dessa família.
E que bela família!

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Lá eu estava. Parado, olhando para o grande túmulo onde vovô seria deixado. Foi no Jardim da Saudade, muitos dos familiares presentes choravam. Eu inclusive, na tentativa de consolar minha vó e minha dinda, não conseguia me conter. A morte do vovô, como muitas dores, me mostrou que certas vidas precisam ser bem preservadas e mais bem aproveitadas. Embora o vovô tenha vivido como ninguém, admito que não aproveitei o tempo que poderia ao seu lado. Não vou cometer o mesmo erro novamente, e pensar nas vidas da vovó e dos meus pais simplesmente me trucidava o coração!

No Jardim ele foi acolhido por todos e ali ficará eternamente. Apenas corpo, felizmente. Ele agora está em compania de Jesus Cristo, que confortará sua alma e nos aguardará até nosso derradeiro encontro. Vá com Deus meu avô, e com lágrimas nos olhos tento deixar minha última e sincera homenagem ao senhor, que tanto nos fez bem! Me desculpe pelo tempo que não passamos juntos e obrigado pelas lições futuras. Obrigado de verdade mesmo!
O homem que nunca fez mau, que à tudo resistia, foi da forma que desejava: dormindo, em paz, sem que ninguém abrisse seu coração para fazer "essa tal de operação".
Um grande beijo, Luiz Lucas dos Santos, fique na paz do Senhor.

Eu te amo, vovô!

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